Pablo Meneses e Thaissa Nascimento participaram do painel “Os desafios do sistema privado”, que discutiu sustentabilidade, judicialização e os caminhos da saúde brasileira até 2030

O Instituto Consenso participou, nesta terça-feira (8/9), em Brasília, do evento “Saúde do Brasil em 2030: Onde vamos estar”, promovido pelo Amado Mundo. O encontro reuniu lideranças, especialistas e representantes do setor para discutir os principais desafios e caminhos da saúde brasileira para os próximos anos.
O presidente do Instituto Consenso, Pablo Meneses, e a coordenadora da entidade, Thaissa Nascimento, participaram do painel “Os desafios do sistema privado”, que abordou temas como sustentabilidade, incorporação de tecnologias e judicialização da saúde.
Durante sua participação, Pablo Meneses defendeu a ampliação dos acordos de compartilhamento de risco como uma alternativa para enfrentar os desafios de financiamento e incorporação de novas tecnologias. Ele destacou experiências internacionais e ressaltou a necessidade de maior articulação entre governo, reguladores e indústria.

“Se a gente não parar e pensar em acordos, compartilhamentos de risco, se a gente não parar pra pensar em indústria nacional da saúde… Estamos chegando ao fim do financiamento da saúde ou que a saúde será apenas das elites? Só de quem tem condição de pagar plano de saúde muito caros e, repito, esse não é um debate no Brasil”, disse Meneses ao jornalista Guilherme Amado, mediador do debate.
Meneses também defendeu o fortalecimento da indústria nacional da saúde e a construção de novos modelos capazes de conciliar inovação, acesso e sustentabilidade.

A judicialização da saúde também esteve entre os principais temas do painel. O diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Wadih Nemer Damous Filho, destacou a preocupação com o crescimento das ações judiciais envolvendo a saúde suplementar. “Uma saúde suplementar já passou na frente da saúde pública em termos de número de ações judiciais. Isso é preocupante.”
Damous defendeu o fortalecimento dos canais administrativos das operadoras e ressaltou a importância de respostas claras aos beneficiários. Para ele, negativas precisam ser devidamente justificadas, evitando que conflitos que poderiam ser solucionados administrativamente cheguem ao Judiciário.

Thaissa Nascimento complementou a discussão destacando o papel do apoio técnico ao Judiciário e da medicina baseada em evidências nas decisões relacionadas à saúde. “Quanto mais qualificadas as decisões judiciais, seja para conceder ou para negar, mais o cidadão vai entender onde que entra a judicialização.”
Segundo a coordenadora do Instituto Consenso, decisões mais fundamentadas podem contribuir para dar maior clareza ao cidadão e reduzir conflitos. Ela também ressaltou a importância de fortalecer o diálogo entre beneficiários e operadoras antes que as demandas cheguem à Justiça.
A programação segue nesta quarta-feira (9/9), reunindo especialistas e representantes de diferentes setores para aprofundar o debate sobre os desafios e as perspectivas da saúde no Brasil.