CNSaúde promove encontro com ministro Alexandre Padilha para discutir avanços e desafios da saúde nos próximos anos

CNSaúde promove encontro com ministro Alexandre Padilha para discutir avanços e desafios da saúde nos próximos anos

Entidade entregou ao ministro propostas para contribuir com o fortalecimento da saúde no Brasil

A integração dos prontuários eletrônicos deve ser um dos próximos passos da transformação digital da saúde brasileira. A avaliação é do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou, nesta terça-feira (1º), na sede do Instituto Consenso, do encontro “Avanços e desafios da saúde para os próximos anos”, promovido pela Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), na sede do Instituto Consenso.

Foto: Antonio Augusto

“A revolução digital na saúde já começou, tanto no SUS quanto no setor privado, e intensificar essa transformação é uma prioridade absoluta. O próximo passo é a integração entre os prontuários eletrônicos. Hoje, 84% das equipes de Saúde da Família já utilizam o prontuário eletrônico do Ministério da Saúde. Estamos mais do que maduros para, em médio prazo, permitir que todos possam acessar essas informações, saber sua consulta e fazer a marcação, com toda essa integração”, afirmou Padilha.

A declaração ocorreu durante uma discussão que reuniu representantes do setor público e privado para tratar dos principais desafios da saúde brasileira nos próximos anos. Na ocasião, o presidente da CNSaúde, Breno Monteiro, entregou ao ministro um documento com propostas da entidade para contribuir com o aprimoramento das políticas de saúde e com a construção de soluções de longo prazo para o setor.

Entre os pontos apresentados estão a ampliação da saúde digital, a interoperabilidade dos prontuários eletrônicos, o desenvolvimento de hospitais inteligentes, a integração de dados entre os sistemas público e privado e medidas para enfrentar o crescimento dos custos na saúde.

Foto: Antonio Augusto

Para Monteiro, o documento busca transformar demandas do setor em propostas capazes de contribuir para políticas permanentes. “O que nós estamos trazendo aqui é uma proposta de construção coletiva, de fortalecimento contínuo da saúde no Brasil”, afirmou.

Transformação digital

A digitalização foi um dos principais eixos do encontro. Padilha afirmou que o avanço tecnológico precisa estar associado à melhoria do acesso e à capacidade de o sistema utilizar melhor seus recursos.

O ministro também defendeu que a incorporação de novas tecnologias seja acompanhada de mecanismos que garantam que os avanços cheguem efetivamente à população. “Inovação sem acesso nem devia se chamar inovação. Inovação sem acesso devia ser chamada de injustiça. O que queremos é inovação com acesso”, destacou.

Foto: Antonio Augusto

A integração dos dados de saúde, segundo Padilha, pode facilitar a relação do cidadão com o sistema, permitindo o acesso a informações, consultas e agendamentos de maneira mais simples. A interoperabilidade entre prontuários também é apontada como um caminho para conectar diferentes pontos da rede de atendimento.

Foto: Antonio Augusto

Além da transformação digital, o ministro apontou o envelhecimento da população e as mudanças climáticas como dois dos principais desafios estruturais que deverão influenciar a saúde brasileira nos próximos anos.

A aproximação entre os sistemas público e privado também esteve entre os principais pontos da discussão. A CNSaúde defende maior integração entre os diferentes segmentos como forma de ampliar a capacidade de atendimento e contribuir para a redução das desigualdades de acesso.

“A integração entre o público e o privado precisa deixar de ser uma discussão pontual e se tornar uma política permanente de Estado. Temos no setor privado uma estrutura que pode contribuir para ampliar o acesso da população e ajudar o SUS a enfrentar suas demandas, especialmente nas áreas de maior complexidade”, afirmou Breno Monteiro

A entidade avalia que a estrutura disponível no setor privado pode ser melhor articulada às necessidades do sistema público, especialmente em áreas de maior demanda e complexidade.

Outro desafio debatido foi a sustentabilidade financeira da saúde. O aumento dos custos assistenciais, a incorporação de novas tecnologias e as mudanças demográficas pressionam o financiamento do setor e exigem novas estratégias de gestão e de organização dos recursos.

Mulheres na saúde

A participação feminina também ganhou espaço no encontro. Diretora da CNSaúde Mulher, Daniela Feitosa destacou a presença das mulheres no setor e a necessidade de ampliar a participação feminina nos espaços de decisão.

“Hoje, 65% do empresariado do nosso Brasil são mulheres, principalmente nas pequenas e médias empresas. Mas ainda temos desafios, como trazer essas mulheres para as grandes empresas e para as grandes discussões. Além disso, 76% da nossa mão de obra multidisciplinar é formada por mulheres”, afirmou Daniela.

Para ela, a construção de políticas para o setor passa também pela ampliação do diálogo entre o poder público e as entidades que representam os diferentes segmentos da saúde.

Ao final do encontro, Padilha recebeu o documento entregue pela CNSaúde e se comprometeu a analisar as propostas apresentadas pela entidade. A expectativa é que o material contribua para a continuidade do diálogo entre governo e setor privado sobre medidas capazes de enfrentar os desafios e ampliar o acesso à saúde no país.

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