Entidade entregou ao ministro propostas para contribuir com o fortalecimento da saúde no Brasil
A integração dos prontuários eletrônicos deve ser um dos próximos passos da transformação digital da saúde brasileira. A avaliação é do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou, nesta terça-feira (1º), na sede do Instituto Consenso, do encontro “Avanços e desafios da saúde para os próximos anos”, promovido pela Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), na sede do Instituto Consenso.

“A revolução digital na saúde já começou, tanto no SUS quanto no setor privado, e intensificar essa transformação é uma prioridade absoluta. O próximo passo é a integração entre os prontuários eletrônicos. Hoje, 84% das equipes de Saúde da Família já utilizam o prontuário eletrônico do Ministério da Saúde. Estamos mais do que maduros para, em médio prazo, permitir que todos possam acessar essas informações, saber sua consulta e fazer a marcação, com toda essa integração”, afirmou Padilha.
A declaração ocorreu durante uma discussão que reuniu representantes do setor público e privado para tratar dos principais desafios da saúde brasileira nos próximos anos. Na ocasião, o presidente da CNSaúde, Breno Monteiro, entregou ao ministro um documento com propostas da entidade para contribuir com o aprimoramento das políticas de saúde e com a construção de soluções de longo prazo para o setor.
Entre os pontos apresentados estão a ampliação da saúde digital, a interoperabilidade dos prontuários eletrônicos, o desenvolvimento de hospitais inteligentes, a integração de dados entre os sistemas público e privado e medidas para enfrentar o crescimento dos custos na saúde.

Para Monteiro, o documento busca transformar demandas do setor em propostas capazes de contribuir para políticas permanentes. “O que nós estamos trazendo aqui é uma proposta de construção coletiva, de fortalecimento contínuo da saúde no Brasil”, afirmou.
Transformação digital
A digitalização foi um dos principais eixos do encontro. Padilha afirmou que o avanço tecnológico precisa estar associado à melhoria do acesso e à capacidade de o sistema utilizar melhor seus recursos.
O ministro também defendeu que a incorporação de novas tecnologias seja acompanhada de mecanismos que garantam que os avanços cheguem efetivamente à população. “Inovação sem acesso nem devia se chamar inovação. Inovação sem acesso devia ser chamada de injustiça. O que queremos é inovação com acesso”, destacou.

A integração dos dados de saúde, segundo Padilha, pode facilitar a relação do cidadão com o sistema, permitindo o acesso a informações, consultas e agendamentos de maneira mais simples. A interoperabilidade entre prontuários também é apontada como um caminho para conectar diferentes pontos da rede de atendimento.

Além da transformação digital, o ministro apontou o envelhecimento da população e as mudanças climáticas como dois dos principais desafios estruturais que deverão influenciar a saúde brasileira nos próximos anos.
A aproximação entre os sistemas público e privado também esteve entre os principais pontos da discussão. A CNSaúde defende maior integração entre os diferentes segmentos como forma de ampliar a capacidade de atendimento e contribuir para a redução das desigualdades de acesso.
“A integração entre o público e o privado precisa deixar de ser uma discussão pontual e se tornar uma política permanente de Estado. Temos no setor privado uma estrutura que pode contribuir para ampliar o acesso da população e ajudar o SUS a enfrentar suas demandas, especialmente nas áreas de maior complexidade”, afirmou Breno Monteiro
A entidade avalia que a estrutura disponível no setor privado pode ser melhor articulada às necessidades do sistema público, especialmente em áreas de maior demanda e complexidade.
Outro desafio debatido foi a sustentabilidade financeira da saúde. O aumento dos custos assistenciais, a incorporação de novas tecnologias e as mudanças demográficas pressionam o financiamento do setor e exigem novas estratégias de gestão e de organização dos recursos.
Mulheres na saúde
A participação feminina também ganhou espaço no encontro. Diretora da CNSaúde Mulher, Daniela Feitosa destacou a presença das mulheres no setor e a necessidade de ampliar a participação feminina nos espaços de decisão.
“Hoje, 65% do empresariado do nosso Brasil são mulheres, principalmente nas pequenas e médias empresas. Mas ainda temos desafios, como trazer essas mulheres para as grandes empresas e para as grandes discussões. Além disso, 76% da nossa mão de obra multidisciplinar é formada por mulheres”, afirmou Daniela.
Para ela, a construção de políticas para o setor passa também pela ampliação do diálogo entre o poder público e as entidades que representam os diferentes segmentos da saúde.
Ao final do encontro, Padilha recebeu o documento entregue pela CNSaúde e se comprometeu a analisar as propostas apresentadas pela entidade. A expectativa é que o material contribua para a continuidade do diálogo entre governo e setor privado sobre medidas capazes de enfrentar os desafios e ampliar o acesso à saúde no país.