Presidente do Instituto Consenso defende cooperação para ampliar acesso e enfrentar desafio das doenças raras

Presidente do Instituto Consenso defende cooperação para ampliar acesso e enfrentar desafio das doenças raras

Foto: Daniel Moutinho

No segundo dia do evento “A Saúde do Brasil em 2030”, especialistas discutiram diagnóstico, tratamento e acesso à saúde para pessoas com doenças raras

O presidente do Instituto Consenso, Pablo Meneses, participou, nesta quarta-feira (8/9), do segundo dia do evento “A Saúde do Brasil em 2030: Onde vamos estar”, promovido pelo Amado Mundo, em Brasília. O encontro reuniu especialistas, lideranças e representantes de diferentes segmentos da saúde para discutir os principais desafios do setor e os caminhos necessários para o futuro da saúde brasileira.

Entre os temas debatidos esteve a realidade das pessoas com doenças raras, especialmente os obstáculos relacionados ao diagnóstico, ao acesso ao tratamento e à integração dos serviços de saúde.

O painel contou também com a participação de Antoine Daher (Toni), fundador e presidente da Casa Hunter e da Febrararas (Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras).  Durante sua participação, Toni apresentou a experiência de iniciativas voltadas ao atendimento de pessoas com doenças raras e destacou a importância de um modelo de assistência multiprofissional. 

Entre as experiências apresentadas esteve a Casa dos Raros, que reúne diferentes profissionais para avaliar o paciente de maneira integral e busca reduzir a fragmentação da assistência. Segundo Toni, o modelo também trabalha com a capacitação de equipes locais e o acompanhamento dos pacientes após o retorno às suas cidades de origem. A proposta é ampliar a capacidade de diagnóstico e qualificar o atendimento em diferentes regiões do país.

Diagnóstico é o primeiro desafio

Ao comentar a realidade das doenças raras no Brasil, Pablo Meneses destacou que a jornada do paciente começa antes mesmo da definição de um tratamento. Para ele, é preciso enfrentar uma sequência de desafios que passa pela identificação da doença, pela existência de alternativas terapêuticas, pela avaliação das evidências disponíveis e, posteriormente, pelo acesso ao cuidado.

Foto: Daniel Moutinho

“Imagina para aquele pai e para aquela mãe ou para aquele indivíduo que não consegue saber nem o que tem? E aí o segundo enfrentamento, depois que eu sei o que eu tenho… Existe tratamento ou não para aquela doença, para aquele transtorno?”

Pablo ressaltou que, enquanto pacientes e famílias enfrentam dificuldades para obter respostas, o sistema também precisa lidar com desigualdades regionais e diferentes níveis de estrutura e acesso à saúde.

Ao analisar os desafios apresentados no painel, Pablo defendeu uma mudança de perspectiva na discussão sobre saúde. Para ele, não é possível construir soluções sustentáveis quando cada setor olha apenas para seus próprios interesses.

“A gente precisa entender que a gente só vai mostrando uma solução quando todos cederem um pouco. Não dá pra gente tratar com paixão assuntos muito sérios”, destacou

Para Pablo, é  fundamental colocar o paciente e sua família no centro das decisões, para que as soluções construídas hoje sejam capazes de atender também os pacientes que ainda chegarão ao sistema. “Nós que estamos à frente dessas instituições precisamos ter essa clareza, porque só assim a gente vai conseguir tratar dos atuais e futuros pacientes de doenças raras.”

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