Setor da saúde bate recorde histórico e ultrapassa 3,3 milhões de trabalhadores formais

Novo Caged mostra que o setor criou 74,3 mil empregos nos cinco primeiros meses de 2026 e ampliou em 4,13% o estoque de trabalhadores formais em relação a maio de 2025

O setor da saúde brasileiro ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 3,3 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o setor encerrou o mês de maio de 2026 com 3.308.761 trabalhadores celetistas, estabelecendo um novo recorde histórico de emprego formal. Em relação ao mesmo período de 2025, quando o setor contabilizava 3.177.502 vínculos formais, houve um acréscimo de 131.259 trabalhadores, equivalente a um crescimento de 4,13% no estoque de trabalhadores formais. O resultado reforça a trajetória de expansão observada nos últimos anos e confirma a saúde como um dos principais motores da geração de emprego formal no país, consolidando sua posição entre os principais empregadores nacionais.

Somente no mês de maio foram gerados 14.474 novos postos de trabalho, enquanto, no acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o saldo positivo alcançou 74.284 empregos formais. O resultado é muito próximo ao registrado no mesmo período de 2025, quando haviam sido criadas 77.184 vagas, representando uma variação de apenas 3,76%. Os números demonstram que, apesar de uma leve acomodação no ritmo das admissões, o setor mantém uma trajetória consistente de geração de empregos e continua ampliando seu contingente de trabalhadores com carteira assinada.

Para o presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Breno de Figueiredo Monteiro, os números evidenciam a relevância estratégica do setor para o desenvolvimento do país.

Foto: Antonio Augusto

“A geração consistente de empregos demonstra que a saúde continua exercendo um papel estratégico para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Além de garantir assistência à população, o setor impulsiona a criação de oportunidades de trabalho qualificado em todas as regiões do país. Esses resultados reforçam a importância de um ambiente regulatório estável e de políticas públicas que favoreçam os investimentos e a expansão da assistência em saúde.”

Os resultados do Novo Caged evidenciam a capacidade do setor da saúde de manter uma trajetória consistente de geração de empregos formais, mesmo diante de um ambiente econômico desafiador. Para a CNSaúde, esse desempenho reforça a importância de um ambiente regulatório estável, de segurança jurídica e de políticas públicas que estimulem os investimentos, permitindo que os estabelecimentos de saúde continuem ampliando sua capacidade de atendimento à população e contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país.

Embora o saldo registrado em maio tenha sido ligeiramente inferior ao observado no mesmo mês de 2025, quando foram criadas 14.713 vagas, o desempenho permanece em patamar historicamente elevado. Para efeito de comparação, em maio de 2024 o saldo havia sido de 15.847 empregos, em 2023 de 12.891 e, em 2022, de 10.057. Os dados revelam que a saúde vem sustentando, ao longo dos últimos anos, um elevado nível de geração de empregos formais, evidenciando a resiliência do setor e sua capacidade de continuar expandindo o emprego mesmo em um ambiente econômico desafiador.

Outro aspecto que merece destaque é o perfil da geração de empregos. As mulheres continuam sendo as principais beneficiadas pela expansão do setor. Das 74.284 vagas abertas entre janeiro e maio, 64.307 foram ocupadas por mulheres, o equivalente a aproximadamente 87% de todo o saldo positivo do período. O resultado reafirma uma característica histórica da saúde brasileira, cuja força de trabalho é predominantemente feminina e exerce papel fundamental na prestação dos serviços de saúde.

Os dados também evidenciam a importância da saúde como porta de entrada para jovens no emprego formal. A faixa etária entre 18 e 24 anos concentrou a maior geração de vagas, com 32.108 novos postos, seguida pelos trabalhadores de 25 a 29 anos (12.612) e de 30 a 39 anos (12.279). Mesmo entre os trabalhadores de até 17 anos houve saldo positivo de 7.663 empregos, demonstrando a capacidade do setor de absorver aprendizes e profissionais em início de carreira.

Sob o aspecto da escolaridade, o maior crescimento ocorreu entre trabalhadores com ensino médio completo, responsáveis por 54.977 novos empregos no acumulado do ano. Também se destacam os profissionais com ensino superior completo, que responderam por 15.414 vagas, evidenciando a ampla diversidade de perfis profissionais que compõem a força de trabalho da saúde.

A expansão do emprego ocorreu em todas as regiões do país, sendo liderada pelo Sudeste, com 35.316 novos postos de trabalho, seguido pelo Nordeste (16.466), Centro-Oeste (9.989), Sul (9.919) e Norte (2.502). Na análise por unidades da Federação, São Paulo manteve a liderança nacional, com 21.167 vagas criadas, seguido por Minas Gerais (9.322) e Bahia (5.650). Também apresentaram desempenho expressivo Rio Grande do Sul (3.639), Pernambuco (3.611), Paraná (3.603), Goiás (3.483) e Distrito Federal (3.372), evidenciando que o dinamismo da saúde está presente em todas as regiões brasileiras.

A superação da marca de 3,3 milhões de trabalhadores formais representa mais do que um novo recorde estatístico. Ela demonstra a capacidade do setor da saúde de conciliar expansão do emprego, qualificação profissional e ampliação da oferta de serviços essenciais à população. Em um contexto de profundas transformações demográficas, assistenciais e econômicas, os dados do Novo Caged reforçam a importância da saúde como um dos pilares do desenvolvimento nacional, contribuindo simultaneamente para a geração de renda, o fortalecimento do mercado de trabalho e o atendimento das crescentes demandas da sociedade brasileira.

Texto: CNSaude