Especialistas apontam caminhos para ampliar acesso a terapias de alto custo com sustentabilidade

Seminário do Instituto Consenso, em Brasília, trouxe diferentes visões sobre os acordos de compartilhamento de risco como alternativa para ampliar o acesso a tratamentos caros no país

Especialistas, representantes do governo, pesquisadores e integrantes da saúde suplementar defenderam o avanço dos acordos de compartilhamento de risco (ACR) no Brasil durante os painéis II e III do “Seminário Acordo de Compartilhamento de Risco — Desafios no Brasil e no Mundo”, promovido pelo Instituto Consenso, em Brasília. Os debates abordaram os temas “Práticas no Cenário Brasileiro” e “Desafios Regulatórios”, reunindo representantes de hospitais, operadoras, indústria farmacêutica, órgãos reguladores e especialistas em saúde.

Foto Antonio Augusto

Ao longo das discussões, os participantes destacaram que os acordos podem ampliar o acesso da população a terapias inovadoras e medicamentos de alto custo sem comprometer a sustentabilidade financeira dos sistemas público e privado de saúde. Entre os principais desafios apontados estiveram a interoperabilidade de dados, segurança jurídica, monitoramento clínico e modelos de financiamento.

Foto: Antonio Augusto

A diretora do Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde do Ministério da Saúde, Lucieni Bonan, afirmou que o principal desafio está na operacionalização dos acordos. “O grande desafio é trabalhar uma plataforma interoperável e garantir pagamento por resultado individual”, destacou.

Representando a Agência Nacional de Saúde Suplementar, Dominic Lourenço defendeu a construção de novas soluções para garantir

Foto: Antonio Augusto

sustentabilidade ao setor diante do avanço das terapias inovadoras. Já a head do escritório do AC Camargo Cancer Center, Mariana Tripoloni, apresentou experiências práticas da instituição, que possui atualmente seis acordos ativos de compartilhamento de risco.

Foto: Antonio Augusto

Também participaram dos debates Maurício Nunes, que destacou a necessidade de olhar para toda a jornada de cuidado do paciente; Sarah Chaia, que ressaltou a complexidade jurídica dos contratos; além de Denizar Vianna e Daniel Wang. Wang chamou atenção para os impactos da judicialização da saúde nas negociações envolvendo terapias inovadoras. “Existe hoje um conflito entre segurança jurídica e flexibilidade regulatória”, afirmou.

Ao final dos painéis, houve consenso entre os participantes de que os acordos de compartilhamento de risco devem ganhar protagonismo nos próximos anos diante do avanço acelerado das novas tecnologias em saúde e da crescente pressão financeira sobre os sistemas público e suplementar no país.

Texto: Kiss Vasconcelos
Contato para a Imprensa: (61) 99146-3444

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Palestras do seminário “Acordo de compartilhamento de risco (ACR) - Desafios no Brasil e no mundo" - 26/05/2026